Meu Perfil
BRASIL, Sul, FLORIANOPOLIS, CANASVIEIRAS, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Livros, Esportes
MSN -



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


 
Blog do Lídio Leopoldo Pinheiro


Valentino e Lucilei

Nas décadas de 50 e 60, os jovens de Vargem Pequena, tanto quanto todos os  jovens do interior da ilha; assim que ganhavam a maioridade, muitos deles até dois ou três  anos antes,   partiam para São Paulo, na busca de emprego;  outros, que tinham identificação maior com a pesca, partiam  para o Rio Grande do Sul.

Florianópolis ainda era uma cidade pequena,  incapaz de gerar  empregos para todos, o comércio era insignificante, e o serviço público para os apadrinhados políticos.

Outro motivo, além do emprego, que fazia com que os jovens partissem para essas cidades, era o fato dos que já estavam estabelecidos nessas cidades, ao virem visitar os parentes, vinham bem vestidos, falando melhor com sotaque paulista ou gaucho, e exibindo um padrão de vida superior aos que aqui ficavam; isso era motivo para que as moças se apaixonassem por eles, deixando  os namoradinhos do dia a dia “chupando o dedo”.

Valentino se enamorou por Lucilei, amiga de infância, e não foi uma paixãozinha qualquer, foi daquelas que enraíza no coração, vira amor eterno e incondicional. Especialistas no assunto, já escreveram que: “não existe amor ou desamor a primeira vista  e sim,  simpatia ou antipatia”.

 Amor não pode ser confundido com um sentimento ocasional e especialmente dirigido a alguém; como a paixão, que se distingue pela atração física que nasce da  beleza exterior,  Devemos entendê-lo como o sentimento Divino que alcançamos a partir da conscientização da plenitude incondicional, imparcial e crescente num relacionamento.

Amar é uma aprendizagem, conviver é uma construção.

Diante dessa condição, e o medo de perder esse amor para um concorrente que viesse dessas cidades o fez  abdicar por um tempo de viver esse amor junto a sua amada, e viajou para Santos. Pretendia melhorar a aparência pessoal e ganhar uma melhor condição de vida para compartilhar com Lucilei.

Mas, por imperativo do destino, logo ficou sabendo que sua amada estaria namorando Marcio que teria chegado da mesma cidade que ele escolheu para morar e trabalhar, e que já estavam de casamento marcado.

O choque foi inevitável, foi como alguém tivesse arrancado seu coração em vida, o vazio perdurou por quase toda sua vida. Nunca mais se atreveu, nem se quer de voltar a Vargem Pequena para visitar a família, poderia não resistir um encontro casual com sua amada, agora em poder de outro homem.

Mas, como escreveu o genial Exupéry  em O Pequeno Príncipe. “ O essencial é invisível aos olhos”.

Seguiu sua vida, virou um pequeno empresário, compartilhou seu lar com outra mulher, apesar da insistência de sua companheira, nunca se atreveu a   casar oficialmente. Sempre foi muito sincero com ela, disse-lhe que só amou uma mulher, e que essa mulher ocupou seu coração por inteiro, não deixando espaço para nenhuma outra ocupar. Se quisesse viver com ele, teria que aceitar a condição de viver como companheiros de jornada, sem casamento, e que a qualquer momento tanto ele como ela poderiam desistir dessa convivência a dois; sem perda da amizade existente entre eles, porque não a amava o suficiente para um enlace conjugal. Situação que foi aceita por sua companheira.  Viviam juntos, se davam bem, mas sem maiores compromissos. Vicentino ainda vivia com inseparável vazio em seu peito deixado pelas armadilhas do destino.

Enquanto isso, Lucilei vivia feliz com seu marido até o dia em que uma doença os separou, levando seu esposo Marcio, deixando-a com três filhos ainda pequenos.

A notícia, embora na época não houvesse internet, e o telefone era de difícil acesso aqui na comunidade, às notícias chegavam por cartas enviadas por familiares contando os acontecimentos da comunidade, e os que recebiam as notícias, imediatamente passavam aos amigos, por telefone, e em pouco tempo, todos da comunidade que lá moravam, ficavam sabendo de tudo que ocorria em Vargem Pequena.

Valentino deu um tempo de superação do luto, conversou com sua companheira, explicou o ocorrido, ela entendeu; se separaram e Valentino não perdeu tempo, viajou até sua terra natal, se encontrou com Lucilei e lhe propôs  viajar com seus filhos para morar com ele em Santos. Lucilei que ainda armazenava no fundo do seu coração lembranças de um amor intenso por Valentino e interrompido por ordem do destino, não vacilou em aceitar  o convite; e nesse momento, Valentino sentiu seu coração restaurado e pronto para viver seu grande amor.

 Juntos viveram uma vida de plena felicidade até o dia em que mais uma vez, o destino os separou levando Valentino para o mundo onde já vivia Marcio, o  primeiro marido de Lucilei. Deixando-a  com seus filhos já criados, independentes, e eternamente agradecidos a Valentino, por seu apoio, sua dedicação e seu apreço e amor a eles dedicados  como segundo pai.

Lídio Leopoldo Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 20h03
[] [envie esta mensagem] []



Valentino e Lucilei

Nas décadas de 50 e 60, os jovens de Vargem Pequena, tanto quanto todos os  jovens do interior da ilha; assim que ganhavam a maioridade, muitos deles até dois ou três  anos antes,   partiam para São Paulo, na busca de emprego;  outros, que tinham identificação maior com a pesca, partiam  para o Rio Grande do Sul.

Florianópolis ainda era uma cidade pequena,  incapaz de gerar  empregos para todos, o comércio era insignificante, e o serviço público para os apadrinhados políticos.

Outro motivo, além do emprego, que fazia com que os jovens partissem para essas cidades, era o fato dos que já estavam estabelecidos nessas cidades, ao virem visitar os parentes, vinham bem vestidos, falando melhor com sotaque paulista ou gaucho, e exibindo um padrão de vida superior aos que aqui ficavam; isso era motivo para que as moças se apaixonassem por eles, deixando  os namoradinhos do dia a dia “chupando o dedo”.

Valentino se enamorou por Lucilei, amiga de infância, e não foi uma paixãozinha qualquer, foi daquelas que enraíza no coração, vira amor eterno e incondicional. Especialistas no assunto, já escreveram que: “não existe amor ou desamor a primeira vista  e sim,  simpatia ou antipatia”.

 Amor não pode ser confundido com um sentimento ocasional e especialmente dirigido a alguém; como a paixão, que se distingue pela atração física que nasce da  beleza exterior,  Devemos entendê-lo como o sentimento Divino que alcançamos a partir da conscientização da plenitude incondicional, imparcial e crescente num relacionamento.

Amar é uma aprendizagem, conviver é uma construção.

Diante dessa condição, o medo de perder esse amor para um concorrente que viesse dessas cidades. Abdicou por um tempo de viver esse amor junto a sua amada, e viajou para Santos. Pretendia melhorar a aparência pessoal e ganhar uma melhor condição de vida para compartilhar com Lucilei.

Mas, por imperativo do destino, logo ficou sabendo que sua amada estaria namorando Marcio que teria chegado da mesma cidade que ele escolheu para morar e trabalhar, e que já estavam de casamento marcado.

O choque foi inevitável, foi como alguém tivesse arrancado seu coração em vida, o vazio perdurou por quase toda sua vida. Nunca mais se atreveu, nem se quer de voltar a Vargem Pequena para visitar a família, poderia não resistir um encontro casual com sua amada, agora em poder de outro homem.

Mas, como escreveu o genial Exupéry  em O Pequeno Príncipe. “ O essencial é invisível aos olhos”.

Seguiu sua vida, virou um pequeno empresário, compartilhou seu lar com outra mulher, apesar da insistência de sua companheira, nunca se atreveu em casar oficialmente. Sempre foi muito sincero com ela, disse-lhe que só amou uma mulher, e que essa mulher ocupou seu coração por inteiro, não deixando espaço para nenhuma outra ocupar. Se quisesse viver com ele, teria que aceitar a condição de viver como companheiros de jornada, sem casamento, e que a qualquer momento tanto ele como ela poderiam desistir dessa convivência a dois; sem perda da amizade existente entre eles, porque não a amava o suficiente para um enlace conjugal. Situação que foi aceita por sua companheira.  Viviam juntos, se davam bem, mas sem maiores compromissos. Vicentino ainda vivia com inseparável vazio em seu peito deixado pelas armadilhas do destino.

Enquanto isso, Lucilei vivia feliz com seu marido até o dia em que uma doença os separou, levando seu esposo Marcio, deixando-a com três filhos ainda pequenos.

A notícia, embora na época não houvesse internet, e o telefone era de difícil acesso aqui na comunidade, às notícias chegavam por cartas enviadas por familiares contando os acontecimentos da comunidade, e os que recebiam as notícias, imediatamente passavam aos amigos, por telefone, e em pouco tempo, todos da comunidade que lá moravam, ficavam sabendo de tudo que ocorria em Vargem Pequena.

Valentino deu um tempo de superação do luto, conversou com sua companheira, explicou o ocorrido, ela entendeu; se separaram e Valentino não perdeu tempo, viajou até sua terra natal, se encontrou com Lucilei e lhe propôs  viajar com seus filhos para morar com ele em Santos. Lucilei que ainda armazenava no fundo do seu coração lembranças de um amor intenso por Valentino e interrompido por ordem do destino, não vacilou em aceitar  o convite; e nesse momento, Valentino sentiu seu coração restaurado e pronto para viver seu grande amor.

 Juntos viveram uma vida de plena felicidade até o dia em que mais uma vez, o destino os separou levando Valentino para o mundo onde já vivia o  primeiro marido Marcio. Deixando Lucilei com seus filhos já criados, independentes, e eternamente agradecidos a Valentino, por seu apoio, sua dedicação e seu apreço e amor a eles dedicados  como segundo pai.

Lídio Leopoldo Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 19h19
[] [envie esta mensagem] []



Lula.

Meu pai, Leopoldo Pinheiro, era fã do Lula, o Lula aparecia na TV ele largava tudo que estava fazendo para assistir, dizia que todo trabalhador teria que prestigiar o PT, todo país precisa ter um partido que defenda o trabalhador junto as autoridades governamentais. E o Lula é um grande líder, sabe defender o trabalhador como ninguém.

O Lula se candidatou a presidente da república, era véspera das eleições. Meus cunhados, irmãos e ele conversávamos  no quintal da casa. Perguntei  em quem eles iriam votar para presidente; e brinquei: para o papai  nem precisa perguntar, vai votar no Lula, e rimos...

Aí ele se saiu com essa: Aí é que vocês se enganam, o Lula é um grande líder dos trabalhadores, e faz isso muito bem, mas não tem preparo para ser presidente da república, se for eleito vai virar marionete nas mãos dos grandes empresários, e dos velhos políticos como Antonio Carlos Magalhães, José Sarney, Ulisses Guimarães etc. Ele não deveria se candidatar a cargo público, eles vão destruir sua liderança e vai ficar igual aos outros e o trabalhador sem líder que o  represente. Ele tem que ajudar o partido crescer até que desponte uma liderança competente de fato para assumir o governo. O Lula em matéria de política é muito ingênuo.

 

De onde ele está hoje, deve estar dizendo: eu não disse que isso iria acontecer!



Escrito por Léo Pinheiro às 10h25
[] [envie esta mensagem] []



Gaiola
Aos amigos e pessoas, que me acusam de defender a direita, devo dizer que estão muito enganadas. Minha juventude, quando estudante, não saía as ruas de São Paulo, de cara pintada para defender a democracia, só pelo prazer de tirar o país de um regime militar para implantar uma ditadura de esquerda, não, nós queríamos uma esquerda moderna, democrática, liberal, inteligente, eficiente, que fosse capaz de construir o país de nossos sonhos, livre e desenvolvido, sem analfabetismo, sem fome, com escolas, saúde e infraestrutura de primeiro mundo, sem privilégios, sem concentração de poder. Uma nação diferente e bem melhor que a que tínhamos naquele momento. Não queríamos trocar uma ditadura por outra. Como disse Nelson Mota em uma entrevista, “uma esquerda moderna, liberal, que respeitasse as leis e os princípios democráticos”. Se os nossos líderes da época não entenderam assim, é problema deles e não nosso.O que aconteceu com a esquerda é que ela se comportou mal, é como se o poder fosse uma gaiola com um pássaro preso que estivesse nas mãos da direita, representada pelo regime militar, e nós lutássemos para pegá-la e soltar o pássaro, mas não, pegamos a gaiola, mantemos o pássaro preso e não pretendíamos soltá-lo nunca mais, e para isso valia qualquer absurdo, fazer o diabo, como disse o Lula durante a campanha de Dilma; até mesmo compactuar e fazer parte da corrupção. Não foi por essa esquerda que lutamos, não era essa a democracia que queríamos.
Ser de esquerda não significa necessariamente ser comunista. embora todo comunista seja de esquerda. Queríamos uma esquerda socialista que pudesse socializar o progresso, não a miséria, Que idolatrasse o desenvolvimento social e não falso ídolo, não estávamos lutando contra um regime opressor, para aceitar um regime comunista mais opressor, escravocrata, e antidemocrático que não deu certo em nenhum país onde foi implantado; e que nada difere da ditadura de direita. Ditadura é ditadura, seja de esquerda ou direita. Muito pelo contrário, lutávamos por uma democracia moderna, participativa, humana, eficiente na construção de um novo país.
Ninguém em sã consciência luta contra uma ditadura para implantar outra. Ninguém queria tirar um poder estabelecido há vinte anos para implantar outro com poderes de ficar perpetuamente. Isso que a esquerda fez, não é a democracia pela qual lutávamos naquele momento.
A esquerda que esperávamos ter, se perdeu nas benesses do poder. E ficou irreconhecível. É essa esquerda que hoje eu critico. Porque não vejo saída em nenhum regime totalitário, podre, corrupto. Ainda acredito na esquerda democrática que lutei e sonhei um dia.
Fora disso é coisa de cabeça feita, de adoradores de falsos ídolos!
Lídio L. Pinheiro



Escrito por Léo Pinheiro às 11h29
[] [envie esta mensagem] []



Gibão e Norilda

Na chácara do Manoel Simão, próximo ao caminho da grota pequena, em Vargem Pequena, havia duas touceiras de bambu; onde a molecada se reunia ao crepúsculo vespertino para esperar a chegada dos bandos de anu para repousar a noite.

Era lindo e prazeroso ver a chegada do bando, ouvir o rumor das asas, o canto estridente e o piado ensurdecedor; como se estivessem contando uns aos outros como foi seu dia. Proporcionavam momentos hilariantes na luta pela escolha dos poleiros; impressionava o esforço feito para se segurarem nas varas de bambu em dias de vento sul, quando as mesmas se dobravam em forma de arco, quase encostando as pontas ao chão. Mas nem isso, e muito menos o forte assovio provocado pelo vento passando em velocidade por entre os bambus, retorcendo toda touceira, os incomodava. Agarravam-se empoleirados nas varetas secundárias do bambu até o alvorecer do dia seguinte. Quando em bandos, partiam para um novo dia de luta pela sobrevivência.

Mas, não era pela beleza do cenário e a musicalidade natural do ambiente que estávamos ali, nosso objetivo era outro, estávamos armados de fundas, esperando que os anus se acomodassem em seus poleiros, para que pudéssemos derrubá-los.

Nesse dia não havia vento forte, o bambuzal estava tranquilo, balançando apenas pela aragem do entardecer e o movimento das asas dos anus. De repente, nos surpreendemos com o Gibão e a Norilda, entrando na segunda touceira de bambu e pararem bem no centro, onde havia um espaço natural bem aberto. Abraçaram-se e trocaram beijos, em seguida iniciaram o ritual de retirada das roupas, e à medida que tiravam peça por peça, as estendiam sobre as folhas secas do bambuzal, da mesma forma como se arruma uma cama. Tomás com o dedo indicador na vertical sobre os lábios, e com a outra mão fazia sinal para que nos aproximássemos agachados e em silêncio atrás de uma pequena moita, para assistir o espetáculo erótico, romântico e animado pela sinfonia dos pássaros, prestes a começar. Quando o silêncio forçado parecia permanecer; Tomás, ao ver a Norilda sem roupa, exibindo a brancura de seu corpo, exclamou baixinho: nossa parece uma rã sem pele! Olhamo-nos e colocamos a mão aberta com pressão sobre a boca sufocando o riso que já estava a ponto de explodir em gargalhadas.

A Norilda se deitou e sobre ela o Gibão. De repente as nádegas brancas do Gibão começou o movimento frenético de sobe e desce, como se tivesse socando café no pilão, e a Norilda se movimentando como se estivesse peneirando café. O acelerado movimento do corpo da Norilda, seguido dos gemidos abafados do prazer só nos permitia ver seus alvos joelhos dobrados. Tomás, sempre ele o mais gozador, exclamou: está faltando os anus “cagar” na bunda do Gibão. Não conseguimos mais segurar o riso preso;  em cadeia soltamos as gargalhadas que ecoaram por todo bambuzal. O Gibão se levanta repentinamente tentando vestir a calça e grita: moleques safados! Vou surrar um por um de bambu, seus pestes. Sem vacilar nos jogamos barranco abaixo, caímos na estrada da grota pequena e corremos em direção à estrada geral onde nos dispersamos, uns para o sul outros para o norte.

Nunca comentamos esse assunto, com medo de que o Gibão cumprisse a ameaça de nos surrar.

Lídio L.  Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 22h06
[] [envie esta mensagem] []



DOUTRINAÇÃO

O processo de doutrinação ideológico é tão destruidor do cérebro humano que o  aliena de tal forma, ao ponto do  sujeito ser  roubado impiedosamente e mesmo assim defende o ladrão com unhas e dentes e o tem como ídolo. É mais ou menos como se o ladrão entrasse em sua casa pra roubar, levasse tudo o que você tem, deixasse a casa vazia, e  dissesse a  você: tudo bem, não precisa  chamar a policia nem dar parte a justiça; porque vou ajudar uma família pobre e deixar o fogão pra ela como recompensa, certo? e você ficar feliz por isso!

Na faculdade, tive um professor polonês de sociologia, Oton Haskel, que nos alertava:” a doutrinação ideológica causa um dano cerebral irreversível. Nunca mais o cérebro volta ao normal”.

Porque é assim que funciona o processo, se eu dou umas migalhas para os pobres, posso ficar com a parte gorda do bolo. E eles ainda vão me agradecer por isso.

Outro argumento perigos é o que diz: os governos anteriores não fizeram nada pelos pobres. Como se os governos fossem eleitos para fazer alguma coisa pelos pobres. E não para governar de modo que vise em primeiro lugar, o desenvolvimento do país. Porque só com desenvolvimento é possível eliminar a pobreza. Fora disso são ações paliativas e eleitoreiras.

Pobre não quer esmolas de nenhum governo. Pobre quer seus direitos de cidadão preservados, quer segurança, saúde e educação de qualidade para ele e sua família. Pobre quer dignidade, sair da pobreza por mérito próprio, com seu trabalho digno. Encabestrar voto dos pobres pelo estomago era coisa do coronelismo.

Um casal de turista de Matogrosso me contou que construíram 7mil casas, veja bem, 7 mil, não  sete casas, do programa “minha casa minha vida”, as casas ficaram prontas, não fizeram calçadas, as ruas não foram asfaltadas, o sistema de esgoto são fossas, a água é bombeada do rio, sem tratamento, o sistema de água tratada que iria da cidade mais próxima, parou no meio por falta de verbas;  não tem praças, não construíram posto de saúde, escolas, nem ponto para padaria, bar ou restaurantes. Fizeram o sorteio, nenhum dos contemplados quis morar lá, a cidade mais próxima fica a 60 km, sem contar que 2 mil casas são separadas das outras 5 mil por um rio praticamente isoladas, ligada apenas por uma ponte de madeira feita para a passagem de material que se encontra em péssimo estado de conservação;  não há  barcos para a travessia. Diz que o mato e a lama  estão tomando conta das casas. Só serviu para a propaganda política, mostrada para todo o Brasil.

E assim vão convencendo os incautos. E não estou fazendo críticas ao PT, é só observar os programas eleitorais de todos os partidos, independente de tendências ideológicas,  que todos se comportam assim, com promessas mentirosas que sabemos de antemão que não vão cumprir se eleitos. Para os nossos políticos, infelizmente,  o que importa é a próxima eleição. Não há um plano de governo confiável e sim um plano de perpetuação no poder..

Lídio L. Pinheiro

 



Escrito por Léo Pinheiro às 19h52
[] [envie esta mensagem] []



Uma reflexão

Estamos em pleno século vinte e um, uma época de incríveis descobertas, tais como a comunicação global, terapia genética, cibernética Social, projeto Genoma, tecnologia digital e outros campos do conhecimento. Nunca antes os seres humanos estiveram tão conectados uns aos outros, mas nunca as pessoas pareceram tão sozinhas. Para onde quer que olhemos, vemos pessoas insatisfeitas e infelizes. Elas vivem auto-centradas, como se estivessem apenas fingindo existir. Outras são escravizadas pela raiva, doenças, depressão, medo, cobiça e ódio. Por quê? Acho que isso se deve ao novo sistema de valores da nossa sociedade, que se baseia nas ilusões, inveja e na falsidade. Fomos ensinados a buscar o dinheiro a qualquer preço e a acreditar que ser rico é sinônimo de ser feliz. Ensinaram-nos que a riqueza é igual ao poder e que ter poder pode tudo. Ao honrar esses falsos ”deuses” do poder e do dinheiro, a sociedade constantemente valoriza aspectos inadequados da existência humana, levando as pessoas a passar por crises existenciais.

Quando vivemos com medo, inveja raiva e ressentimentos, atraímos situações que criarão ainda mais medo, inveja, raiva e ressentimento. Quanto mais envolvidos estamos na consciência do mundo exterior, mais nos afastamos do caminho de Deus.

Existe uma tremenda carência de Deus no mundo, que afeta nossa existência, uma fome que não está sendo satisfeita. A religião que deveria ser a direcionadora da nossa espiritualidade acaba se perdendo nos acontecimentos do cotidiano. É preciso mais do que ir à igreja, ao templo, rezar, cantar, pregar e dar dinheiro aos pobres para desenvolver a espiritualidade. É necessário ter uma compreensão das verdades espirituais, do Evangelho, do que nos ensinou Jesus e colocá-las em ação nas nossas vidas cotidianas. Infelizmente, às vezes as verdades ensinadas pela religião são distorcidas pela interpretação pessoal e interesses escusos. O medo de Deus substitui o amor a Deus. O demônio virou concorrente direto de Deus e nos é apresentado por muitas religiões com mais força e poder do que o próprio Deus.  Resta a cada um de nós separar a verdade do dogma, o joio do trigo.

As pessoas voltadas para a espiritualidade sempre pensaram por conta própria, mas hoje em dia há pessoas demais esquecendo quem realmente são. Elas querem felicidade, amor e alegria, e buscam esses valores no mundo exterior. Não percebem que, embora estejamos vivendo um mundo físico e tenhamos sensações físicas, existe algo mais real e poderoso que fica dentro de nós, que é a essência Divina.

Não estamos aqui para sermos escravizados pelas regras de uma sociedade materialista envolvida com os aspectos negativos e inferiores da personalidade terrena. Temos que parar de viver uma vida baseada na culpa, preocupação e medo. Chegou à hora de voltarmos a conhecer o significado de Deus e de pensarmos em nós mesmos como seres espirituais de luz e amor.

Você é e sempre será uma fagulha do amor Divino. O seu lar definitivo fica no mundo dos espíritos. Viajamos até este mundo terreno para praticarmos o bem e evoluirmos como ser espiritual. Nós somos um ser espiritual vivendo uma experiência carnal, e não um ser carnal vivendo uma experiência espiritual. A vida na Terra é temporária. A chave para caminhar nesse planeta é a consciência mais profunda da sua existência espiritual. Quando você vive cada dia no mundo carnal, tendo o mundo espiritual em mente, está vivendo uma vida verdadeira.

O corpo é apenas um repositório de ossos, tecidos e órgãos; sozinho, ele não tem vida própria. É a alma que dá ao seu corpo vida e expressão criativa. Quando a sua personalidade espiritual é fortalecida, você começa a experimentar a plenitude da vida.

Se quisermos aprender com os ensinamentos de Jesus sobre a vida espiritual, precisamos começar a assumir a responsabilidade por cada aspecto das nossas vidas. Somos os únicos capazes de mudar nossa maneira de pensar e agir. Quando tomamos decisões que são positivas e contribuem para o nosso crescimento, mesmo quando essas decisões parecem difíceis, nos tornamos participantes ativos de nossas vidas. Então, a vida não vai simplesmente acontecer conosco. Para despertar e conectar-se com a essência Divina, precisamos exercitar nossos músculos espirituais, e a maneira mais eficiente é através da meditação e da oração.

Quando Jesus disse: “Eu não sou desse mundo”. Ele quis dizer apenas: Eu estou nesse mundo. Quis nos dar um recado, se nos consideramos filhos de Deus, e irmão de Jesus, o que Ele disse vale para nós também. Nós não somos desse mundo, nós estamos nesse mundo.

Pense nisso!

 Lídio L. Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 12h22
[] [envie esta mensagem] []



EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

O  desenvolvimento tecnológico alterou demais  nossa convivência, facilitou nossa vida,  diminuiu distancias,   aproximou pessoas, tanto presencial como virtualmente.    Hoje é possível ver e falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo ou deixar recado  no face book,  Twitter ou ainda passar um E-mail, tudo isso através de um pequeno smartphone que cabe na palma da mão e que ainda  armazena dados, músicas  e imagens. Podemos atravessar o globo terrestre em poucas horas em aviões supersônicos com toda segurança e conforto, fazer cruzeiros em navios luxuosos em torno do globo em dias ou mês. O mundo se tornou uma  pequena aldeia  global diante da velocidade alcançada graças a tecnologia.

As desigualdades sociais, raciais e gênero, já não são tão acentuadas, o único critério para adentrar ao mundo do trabalho e economico  e a capacidade de interação, instrução, comunicação e  inteligência.

Sabemos que a tecnologia também tem criado armas de guerra perigosas, como bombas capazes de destruir o planeta em questão de horas. Mas o lado bom é bem maior, como nos colocar em outros planetas, para conhecê-los melhor, e até descobrir suas potencialidades de habitabilidade para futuras gerações,  suas influências no nosso planeta,  conhecer outras galáxias e suas formações; e nos proporcionar o desenvolvimento de futuras tecnologias que facilitarão  ainda mais  a   nossa vida e de futuras gerações.

Avançamos muito na medicina, aponto de aumentar a expectativa de vida que no século passado era em média 50 anos, hoje já está em torno de 80 anos em alguns lugares do mundo.

Evoluímos tecnologicamente, rompemos barreiras geográficas, acompanhamos a transformação social, mas ainda não evoluímos o suficiente para eliminar as guerras entre povos, a fome, a miséria, a crueldade e o preconceito. Nossas casas cercadas de muros cada vez mais altos encimados com cercas elétricas, nossas ruas e prédios vigiados noite e dia por câmaras de segurança, nossos presídios cada vez mais cheios, hospitais lotados de doentes por falta de acesso a uma melhor qualidade nos sistemas de saúde,   nosso cotidiano cada vez mais agitado e nossos dias mais inseguros.  Nossos políticos, que deveriam ser exemplos de cidadãos, pelo comprometimento que deveriam ter com todo processo  evolutivo da humanidade, e pela  responsabilidade de guiar o destino da raça humana neste planeta, não saem das páginas dos noticiários com acusações de corrupção; desperdícios de recursos em obras super faturada e mal executada,  obras inacabadas etc. A impressão que se tem é que a  evolução  tecnológica canalizou todo potencial humano para poucos,  e   fez o restante da humanidade retroceder na ética, na moral  e na justiça.

Mas diante desses contrastes absurdos, não podemos nos acomodar; temos que continuar lutando, para superarmos essa insensatez de forma que as próximas gerações, possam ser mais felizes do que nós e viverem num mundo mais igualitário e justo, e que a única diferença entre os povos, seja apenas o idioma e a cultura.

Lídio Leopoldo Pinheiro

 

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 09h06
[] [envie esta mensagem] []



ÓDIO INUTIL

Se há  algo que me deixa encucado é esse ódio que muitos demonstram contra  os EUA  com acusações de que eles  escravizam os países pobres. É óbvio que eles cometem excessos, ninguém é perfeito, também não sou um cego defensor dos americanos, mas daí a sentir ódio vai uma longa distancia. - mesmo porque o ódio é um sentimento baixo demais para ser cultivado, que destrói com muito mais eficiência quem odeia, a  quem é odiado- Primeiro  porque eles  não escravizam ninguém, os governos dos países pobres que escravizam seu próprio povo. Lá eles investem pesado na educação de qualidade de seu povo, lá eles têm as melhores universidades do mundo, o maior parque tecnológico, os melhores centros de desenvolvimento científico do mundo, o melhor sistema de saúde com os melhores médicos e recursos a vontade para investir na qualidade de vida de seu povo e ainda emprestar dinheiro para os outros países;  ganhando  milhões de dólares com os juros aplicado sobre os empréstimo. E se pediu emprestado vai ter que pagar, sem essa de perdoar dívidas. Dão ao mundo exemplo de democracia e  patriotismo, pensando primeiro no bem-estar de seu povo; primeiro eles, depois os outros. Há algo de errado nisso? Sem contar que é a maior potencia econômica e militar do planeta, prontos e preparados para defender seu povo de qualquer ataque externo. Lá tudo é melhor! Quem não investe no desenvolvimento de seu povo, vai  continuar subdesenvolvido e servir para ser usado não só pelos países desenvolvidos, mas também pelos gananciosos que nos governam. Se temos  que reclamar, que reclamemos do nosso governo, não dos países desenvolvidos. Eles   tem mais é que servir de exemplo, e não de ser odiado pela nossa incompetência de chegar onde eles chegaram. Esse negócio de dizer que não nos desenvolvemos porque eles não deixam, é cascata, é discurso da incompetência; quem não nos deixa chegar ao nível de pais desenvolvido é a corrupção, a ganância e os privilégios dos que deveriam pensar num país melhor pra todos. A impressão que se tem é que para fugir a responsabilidade, nossos governos colocam para nós, os Estados Unidos como bode expiatório. Por que não imitar os melhores ao invés de ficar perdendo tempo imitando países falidos, com desenvolvimento e qualidade vida pior que a nossa? Está aí para provar:  Coréia do Sul, Japão, China e índia a todo vapor no caminho do desenvolvimento, se tornando países desenvolvidos, os dois primeiros não têm um décimo do potencial natural que nós temos,  e continuamos na  eterna faixa de país emergente, dando dois passos pra frente e um para trás como caranguejo e usando a mesma desculpa de sempre e acusando os mesmos agentes externos. A poucos dias num discurso, Trump disse uma verdade que muitos não gostaram: “O Brasil era para estar na vanguarda, liderando os países sul americanos”. Mas não, prefere se igualar a eles ou ser pior. Precisamos acordar, ao invés de ficarmos gerações e mais gerações no mesmo lugar engolindo sapo e esperando um milagre de um governo populista, um salvador da pátria, que jamais acontecerá por que é incompatível com o mercado internacional. Não há futuro, nem porto seguro para quem rema  contra a maré.

Lídio L. Pinheiro



Escrito por Léo Pinheiro às 20h35
[] [envie esta mensagem] []



RUA JOSÉ DAUX

Quem estudou ou estuda Administração de Empresas conhece bem o lema: “Objetivos alcançados não podem ser degradados”.

A iniciativa privada considera esse lema uma lei; pela sua importância e pelos custos que representa cada objetivo alcançado. Parte-se para novas conquistas, novos objetivos, mas preservando e mantendo as conquistas anteriores em perfeito estado de conservação e funcionamento.

Pena que a administração pública não faça o mesmo, para esta, o importante são novas obras, a já executadas caem no abandono por falta de previsão de recursos e  um programa de manutenção periódica. É comum a imprensa noticiar a queda de teto e paredes de prédios públicos, de escolas, desabamento de pontes, viadutos, além das estradas e ruas esburacadas por falta de manutenção.

Um exemplo simples e bem próprio desse descaso são as pontes : Colombo Sales e Pedro Ivo, outro é a  Rua José Daux em Canasvieiras; segundo seus moradores, foi à primeira rua do bairro a ser asfaltada e nunca recebeu manutenção apesar dos abaixo assinados enviados a prefeitura; as três quadras próximo ao mar não tem mais asfalto, só buracos, quando se aproxima a temporada, a prefeitura enche os buracos com uma espécie de farofa asfáltica que desaparece a primeira chuva.

Há tempo que os moradores pararam de reivindicar novo asfalto, acharam uma solução paliativa e econômica, pelo menos para eles; durante a reforma das casas - o que é comum nessa época do ano - colocam os entulhos nos buracos da rua, economizando assim, dinheiro que gastariam com as caçambas de entulho.

Depois dizem que o brasileiro é criativo, sem considerarem que é a necessidade e o abandono dos que recebem seus impostos para cuidar da coisa pública e não o fazem como deveriam.

Lídio L. Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 15h55
[] [envie esta mensagem] []



O DEUS DO FILÓSOFO SPINOZA

Um dia perguntaram ao cientista Albert Einstein se ele acreditava em Deus, ele disse que acreditava no Deus do filósofo Spinoza. Veja que Deus é esse:

Se Deus tivesse  falado:
“Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e que acredita ser a minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Para de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais dizer a mim como fazer meu trabalho?

Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão, não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por ser como tu és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja tua guia.

Amado meu, esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre, não há prêmios nem castigos, não há pecados nem virtudes, ninguém leva um placar, ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para criar na tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se há, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não, Eu vou te perguntar, Você gostou?... Divertiu-se? O que foi o que você mais gostou? O que você aprendeu?

Para de crer em mim, crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricia teu cachorro, teu gatinho, quando tomas banho no mar.

Para de louvar-me, Que tipo de Deus ególatra você acredita que Eu sou?

Aborrece-me que me louvem me cansa que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstrá-lo cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que você está aqui, estás vivo, e este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora, não me acharás. Procura-me dentro... aí estou, batendo em ti.

Baruch Espinosa

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 18h10
[] [envie esta mensagem] []



O CONTADOR DE ESTÓRIAS.

 Luciano, alto de pele vermelha, barba e cabelos ruivos, tinha uma postura de homem muito sério, compenetrado, de pouca fala que inspirava certo respeito. Mas era uma pessoa amável, amiga, brincalhona, adorava contar piadas e estórias de fantasmas para as crianças. Era casado com a Libania, tinha um casal de filhos: Vanda e Paulino, nossos amigos de infância.  Morava  próximo a ponte Pequena. Onde moram hoje,  os filhos da Doracy.   Seu sítio iniciava nas margens do Rio Pequeno até a crista do morro do Alemão, que faz divisa com a Vargem Grande.

No sítio do Luciano, entre a faixa de mata protetora do rio e a chácara de café existia um pequeno pasto, que quando não tinha animais pastando, servia como campinho de futebol para a molecada. Luciano, após o trabalho e durante os finais de semana, costumava se juntar a nós para jogar, e aproveitava a oportunidade para depois do jogo sentar com a molecada, inclusive seu  filho Paulino, para contar estórias de fantasmas, Mula sem cabeça, Bruxas, Bernúnça e Boitatá. Suas estórias eram horripilantes, tinha alguns moleques que ficavam tão apavorados de medo, que o grupo tinha de se reunir para levá-los para casa. Sempre nos aconselhava  ir para casa assim que anoitecesse, porque nesse horário de crepúsculo da tarde até as dez da noite era o horário dos fantasmas e dos monstros assustadores. Pedia para que a gente orasse antes de dormir pedindo a proteção de Deus para que o fantasma não incomodasse nosso sono.

Apesar do medo que sentíamos de suas estórias  era prazeroso ficar escutando, pela dramatização  mímica, imitava a voz o jeito de andar e a cara de mal dos personagens.  Não sorria de mostrar os dentes, somente com os lábios e expressões facial,  às vezes dava umas tossidelas que indicavam um sorriso interior.

Quando acontecia da molecada, empolgada com o jogo, passar da hora de ir para casa, ele se vestia com um lençol branco e ficava caminhando por dentro do cafezal próximo a beira do campinho imitando o Fantasma.  Andava com os passos e o jeito do Fantasma que descrevia em suas estórias.  Quando algum moleque via, gritava para todos: olha o Fantasma no cafezal! A turma largava a bola e pernas pra que te quero? A corrida só cessava quando cada um chegava a casa.

No outro dia, todos se reuniam para esperar o seu Luciano chegar do trabalho,  para contar que tínhamos visto o Fantasma na beira do campinho, era um festival de conversas cruzadas, todos querendo contar a seu jeito e ao mesmo tempo. Luciano sentava com todos,  escutava pacientemente e em seguida dizia: não disse a vocês? Esse horário é dos Fantasmas, do Boitatá, Bernúnça e da Mula sem cabeça.  Lembram que falei para vocês que o Boitatá é um enorme touro com patas de gigante;  e tem um olho enorme no meio da testa, se parar na frente dele fique  quieto e feche bem  os olhos para não ver o olho dele. Pois  se vocês olharem para o olho dele, ficam cegos ou se transformam numa enorme bola de fogo e saem mata adentro iluminando toda a mata, nunca mais retornarão a viver, ficam eternamente vagando como vagalume.

A Bernúnça é como um jacaré enorme, um dragão que come tudo que vê pela frente, crianças, gente, animais, tudo... Como aquela do Boi-de-mamão né, seu Luciano, inquiriu o Reis, Não... Reis, aquela do boi de mamão é só uma imitação, é uma brincadeira, mas o jeitão dela é o mesmo. O Tomaz interrompe dizendo que a do Boi-de-mamão é gente que tem dentro, né  seu Luciano, ela come as crianças, mas não matam, elas saem por trás. O Paulino diz: na Bernúnça de verdade ela come as pessoas e atrás só sai cocô. Todos riram menos o Luciano que só ria com suas tossidelas característica de bom contador de estória.

Pois é... Acrescenta Luciano: mas o pior de todos são os Fantasmas, esses não têm medo de nada e transformam as pessoas em almas perdidas como eles e levam para morar na toca escura deles lá no mundo dos espíritos. Eles só têm medo de uma coisa, vocês sabem qual é, sabem? Todos ficavam curiosos para saber, aí ele fazia um enorme suspense... Há vocês não sabem?... A molecada ficava chutando respostas. Nada disso, dizia: o Fantasma só tem medo do Sol. Vocês já ouvirão falar de pessoas que viram Fantasmas de dia? Em coro todos respondiam: não...  Eles têm muito medo do sol, continuava Luciano: Quando o sol aparece,  se escondem em suas tocas muito escuras lá no mundo dos espíritos e só saem de lá quando o sol vai embora e vem à noite. Como o Lobisomem né... Seu Luciano, interrompe o  Marcela. É... Só que o Lobisomem sai nas noites de lua cheia e somente as sextas feiras  de madrugada, por isso ele não ataca as crianças, porque nessa hora as crianças já estão dormindo.

Muitas vezes se reuniam vários pais, pegavam lençóis, cobertores, cortinas montavam uma Bernúnça e iam para a chácara de café  próximo a beira do campinho para assustar a gente. O objetivo deles era fazer com que nós não ficássemos brincando até tarde da noite, oito horas todos tinham que estar na cama para acordar sedo e ir para a escola no dia seguinte. Sem contar as inúmeras vezes que todos se reunião conosco para contar estórias e casos. Quantas “peladas” jogamos com bola improvisada, pais contra filhos.

Naquele tempo nós não tínhamos casas bonitas, bicicletas, carros, geladeiras cheia de alimentos, aliás,  nem eletricidade, telefones de nenhum tipo, rádio, televisão e toda essa parafernália tecnológica de hoje. Mas tínhamos família: pais, tios,  avós, vizinhos, todos participavam da nossa formação, vivíamos cercados de carinho e respeito por toda a comunidade, nossos coleguinhas se tornavam eternos amigos. Nossos pais não precisavam trabalhar desesperadamente, para cumprir compromissos e pagar dívidas infindáveis com esse louco mercado consumidor e muito menos pagar essa  gigantesca carga tributária  dos nossos dias, para sustentar corruptos. Por essa razão tinham mais tempos para nós, para curtir a família e os amigos. Não éramos tão pobres como pensamos hoje!

Lídio L.Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 22h06
[] [envie esta mensagem] []



UMA SOCIEDADE EM CONFLITO

Em todos os casos temos o fim duma cultura, graças a uma complexa sociedade denominada “civilização”: o domínio da aristocracia culta pela burguesia endinheirada; a concentração do poder político, social e econômico em vastas cidades metrópoles, as quais sugam todo o plasma vital do campo e reduzem-no à esterilidade urbana; a substituição da qualidade pela quantidade, do bom gosto pelo exibicionismo, da beleza pela utilidade, da  cultura pela riqueza;  o triunfo do materialismo e da ciência sobre a religião e a arte, a desintegração da arte em modas, manias, luxurias e  bizarrices; a áspera procura de novos estimulantes estéticos que excitem a consciência jovem; o levante das classes baixas contra a corrupção e desmando na administração pública; da exaustão do mundo da comunicação comprometida com o poder e de novas religiões como meio de fuga à realidade e consolo; a expansão do luxo e do vício, com enfraquecimento do corpo e do caráter moral, tornando a nação incapaz de autodefesa; a extinção da força espiritual criadora; a decadência da família e da igreja como fontes de tradição e preparo moral; a esterilidade dos inteligentes e a multiplicação da massa alienada, isto é, de copiosas massas metropolitanas que flutuam tão impotentes quanto inoperantes, sofrendo o efeito manada, o lento emergir em plena civilização das condições humanas primitivas; a tentação da desordem nos jovens, o desejo da ostentação, sequiosos de pilhagem; o fim!

Será que o que queremos para hoje se sustentará  no futuro, e o que consideramos ideal para o futuro corresponderá os objetivos da nova geração,  quando a mesma assumir o comando da nação? Como serão as sociedades do futuro, e o que dirão da nossa sociedade atual? Será que o frágil legado moral que estamos deixando aos jovens, superará o legado da corrupção que impotentes, não conseguimos corrigir? Como seremos lembrados; como a geração mais corrupta do país, que ao invés de se preocupar com o futuro da nação a colocou na maior crise econômica e social da história; ou esse descaso continuará se reproduzindo como herança maldita deixada por nos? E com as mesmas desculpas de hoje, a corrupção permanecerá porque não começou nesse governo, se outros fizeram e não foram condenados por isso, por que não podemos fazer agora? Não estaremos aqui pra ver, mas pelos exemplos deixados,  tudo indica que se passarão muitas gerações até que esse país se torne uma nação civilizada em todos os sentidos.

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 10h24
[] [envie esta mensagem] []



FARRA DO BOI

Ainda não havia luz elétrica em no Norte da Ilha, para caminhar a noite só com facho de  luz feito de bambu e pano encharcado de querosene ou nas noites de lua cheia. E foi numa noite de sábado de lua cheia, que resolvemos reunir um grupo de amigos, em torno de 10, todos de Vargem Pequena para retirar o boi do pasto do Aldo da Branca em Ratones. Uma semana antes de começar a farra do boi, as comunidades compravam os bois e os deixavam no pasto, aguardando o dia da estreia que acontecia no domingo após o almoço. Era comum reunir um grupo de amigos para retirar o boi do pasto sem que os donos soubessem,  para que se escondesse no mato. À notícia de que o boi havia fugido se espalhava rapidamente, e todos iam pela manhã para a comunidade ajudar a procurar o boi com o intuito de antecipar a brincadeira que se estendia por todo o dia.

A  antiga venda do Aldo, ficava de frente para o pasto, e estava lotada de gente, discutindo sobre o que seria a brincadeira, uma vez que o boi já tinha fama de ser muito bravo. Parte dos guris desistiu e voltou para Vargem Pequena,  não quiseram se  arriscar, porque poderiam ser vistos pelo pessoal da venda.

Ficou  eu e o Bido, achamos frustrante vir de tão longe e não soltar o boi – Pena que o Bido não está mais entre nós para confirmar essa estória -  O pasto era cercado de arame farpado e a porteira de bambu; abrimos sorrateiramente a porteira e entramos no pasto; há 30 m da porteira havia uma grande figueira, de onde avistamos o boi junto com outros bois domados próximo a um capão de mato.  Planejamos deixar a porteira aberta, a hora que o boi viesse em nossa direção, subiríamos na figueira e o deixaríamos passar pela porteira. Assim fizemos: o boi estava a uma distancia de 80 m, ficamos a 30 metros da figueira, tiramos a camisa e começamos a pular com a camisa estendida nas mãos, como fazem os toureiros. Quando o boi nos viu, começou a cavar no chão, ora com uma pata ora com outra, como se estivesse nos dando um recado, vou pegar vocês seus moleques. Em seguida partiu para cima de nós, corremos em direção à figueira e subimos rapidamente, em seguida o boi passou por nós e foi até a porteira aberta, comentamos: o plano deu certo; mas para nossa surpresa,  ele voltou e se deitou ao pé da figueira.

Olhamo-nos e ficamos rindo baixinho sem saber o que fazer, foi quando o pessoal começou a sair da venda para ir para suas casas, e admiraram-se  ao ver a porteira aberta e o boi tão próximo sem ter fugido, chamaram o Aldo, que foi logo dizendo: tentaram soltar o boi, porque eu tenho certeza que fechei a porteira antes de anoitecer. Pensamos em pedir ajuda, para que tirassem o boi do pé da figueira para que pudéssemos descer e ir embora. Mas isso era o mesmo que pedir uma surra, seria menos penoso enfrentar o boi!

Ficamos quietos, o Aldo tornou a fechar a porteira, despediu-se dos amigos e todos seguiam  seus caminhos. Ficamos nós e o boi; olhamos o relógio, onze horas da noite, iniciamos a quebra de galhos da figueira e jogá-los sobre o boi, que se lambia tranquilamente sem dar importância, como se estivesse dizendo: vocês vão se danar dormindo empoleirados como aves. O Bido queria se jogar e sair correndo, desaconselhei, era perigoso demais, continuamos jogando galhos de figueira sobre o boi, balançando outros galhos com força para fazer barulho e nada; teve uma hora que já não se via mais o corpo do boi, todo coberto de galhos e folhas de figueira, só a cabeça e seus enormes chifres. Bateu desespero na gente, o Bido já estava com fisionomia de choro,  começamos a xingar o boi de miserável, desgraçado, filho do demônio; ele não respondia nossa ira, só se lambia e ruminava tranquilamente.

Aproximava-se das 2 horas da manhã, quando senti vontade de urinar, falei para o Bido, vou urinar na cabeça desse chifrudo!

O Bido concordando disse: também vou, descemos para um galho mais baixo e miramos a cabeça do boi. Porque não havíamos pensado nisso antes? O boi se levantou repentinamente jogando os galhos de arvore e folhas para todo lado e saiu num pinote, correndo e chacoalhando as orelhas para se livrar da urina e foi parar onde estavam  os outros bois domados. Demos graças a Deus e saímos em disparada deixando a porteira aberta.

No dia seguinte voltamos para a farra, os comentários era que o boi era tão bravo, que por duas vezes tentaram tirá-lo do pasto e não conseguiram.

Nunca mais nos aventuramos a fazer esse tipo de brincadeira.

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 16h57
[] [envie esta mensagem] []



TUNACO E CALADINHO

Tunaco e Caladinho eram duas figuras folclóricas que percorriam toda ilha, comunidade por comunidade, durante a década de 50 e 60. Por esse motivo não havia criança que não os conhecessem; na verdade eram dois mendigos, talvez os primeiros mendigos que circulavam por todas as comunidades da ilha. Andavam sempre juntos, roupas muito sujas, encardidas e esfarrapadas; barba longa, e descalços. Tunaco era gordo e de estatura baixa, de barba preta. Falava muito; carregava um saco de linhaça nas costas cheio de panelas e latas velhas, e se mostrava presente na comunidade em que chegava, batendo numa lata vazia de leite ninho queimada pelo fogo, nela aquecia seu alimento. Comia com as mãos sujas, os dedos era seu garfo e a palma da mão sua colher; não fazia mal a ninguém, mas costumava falar palavrões quando contrariado, corria atrás das crianças só para se divertir e diverti-las. Bebia cachaça como se bebe água quando se está com muita sede.

As mães para fazerem os filhos arteiros ficarem quietos ou para fazê-los dormir, os ameaçava em chamar o Tunaco e o Caladinho para pegá-las e colocá-las na saca. Por isso, quando muito pequenos tinham medo dos dois; já os maiores aproveitavam sua passagem pela comunidade para se divertirem com eles; embora a brincadeira se resumisse em imitá-los, rir e correr deles, que quando se aborreciam com as brincadeiras, saiam correndo atrás da molecada. Mas no fim todos se compadeciam deles e acabavam dando comida, roupas usadas e por vezes, ficávamos horas conversando com eles sentados a beira do caminho.

O Caladinho era magro e um pouco mais alto do que Tunaco, muito calado, daí seu apelido, falava pouco com as pessoas, mas falava muito consigo mesmo. Tinha muito medo da cruz. E a brincadeira da molecada com ele consistia em cruzar os dedos em forma de cruz; ficava irado com isso, e se danava a xingar todo mundo de diabo, corno, filhos do cão e centenas de palavrões. Não aceitava roupas, só comida e cachaça, na falta, qualquer moeda que lhe davam, e para ele todas eram cinqüenta centavos, não importava o valor impresso. Também como Tunaco, andava com uma saca de linhaça nas costas - com as roupas de dormir e latas para acondicionar comidas, gêneros alimentícios e frutas e como não poderia faltar, uma garrafa de cachaça. Embora andar descalço naquele tempo, não era próprio só de mendigo, toda população andava também descalça; sapatos somente nos bailes de final de semana, festas ou quando se ia à cidade, coisa muito rara.

Quanto à comida que recebiam da comunidade, era apenas farinha de mandioca e peixe escalado de sol, base da alimentação da comunidade.    

Faziam um foguinho, como diziam, normalmente sob a sombra de uma arvore, entre três pedras, colocadas  em forma triangular, onde apoiava sua lata com água e  faziam o pirão, assavam o peixe e comiam ali mesmo. Depois lavavam as latas ou panelas, no rio mais próximo, punham na saca e seguiam caminhando  para outra comunidade.

Houve um tempo em que os dois se separaram, só aparecia o Tunaco. Depois de muito sacanear o Tunaco com as nossas brincadeiras, nos sentamos com ele sob um tamanqueiro a beira do caminho, e ficamos conversando longo tempo:

- Tunaco, porque o Caladinho não veio com você?

- Porque ele brigou com seu amigo.

-Que amigo, o amigo dele não é você?

- É! Mas ele tem outro amigo, que só ele conhece e fala com ele. E quando eles brigam  para se vingar ele fica muitos dias sem beber e sem sair do barraco onde a gente mora. Deixa-me contar pra vocês, e se ajeitando no acento da raiz do tamanqueiro, encolheu as pernas, cruzou os braços sobre os joelhos e começou  a narrar a estória do amigo: o Caladinho fala muito sozinho, mas na verdade ele não está falando sozinho, ele está falando com seu amigo invisível, entendem, eles são muito amigos sabe, mas de vez em quando eles brigam; e tudo pela cachaça. O Calidinho bebe qualquer cachaça, mas o amigo dele é muito exigente, e só quer beber cachaça de cana miúda, aí eles brigam. A onde se viu pinguço escolher cachaça? Só o amigo dele mesmo, indignou-se! Por isso o Caladinho fica sem beber só para atazaná-lo, aí, de pirraça, ficam os dois sem beber. Azar deles, pra deixarem  de serem  burros.

-Você está falando que o amigo dele é um fantasma?

-É um espírito que acompanha ele, os dois não se largam, por isso que ele fica bravo com vocês quando mostram a cruz para ele. Não é ele que fica bravo, é o amigo dele que não gosta. Tem dias que o Caladinho sai “na tapa” com ele. Ele dá socos e pontapés nele. Bate com pedaço de pau, com tudo que ele pega pela frente, mete até faca nele. No começo eu pensava que ele estivesse ficando louco, porque eu não via esse tal de Tião.

-Tião é o nome do fantasma?

-Ele diz que o Tião era amigo de infância, cresceram juntos, e quando eram moços estavam sempre juntos nas festas, em todos os lugares. Depois ele morreu de tanto beber e aí não largou mais o Caladinho.

- E ele bate no Caladinho?

-Se bate!... Ás vezes ele derruba o caladinho, joga-o no chão sobre as pedras, ele se machuca todo, eu que vou socorrer o Caladinho.

Mas depois eles fazem as pazes e voltam a ser amigos de novo.

-E tu não tens um amigo fantasma?

- Tás tolo, tás! Eu quero amigo capeta, capeta que vá pro inferno e me deixe em paz, já basta aquentar o fantasma amigo do Caladinho!

-Tunaco, tu não quisesse casar?

- Casei sim, mas a munhé me pôs um par de chifres, aí eu pra não matar a “fia” da puta, me joguei no mundo.

-Tens filhos?

Tenho dois, que nunca mais vi, eles também não me conhecem mais, to muito “véio” e acabado, e se me conhecer não  vai acreditar que sou o pai deles. Quem quer ter um pai mendigo “né”? O Caladinho também tem duas filhas bonitas, mas também não o conhecem. E mora por perto, ele passa por elas e elas não o conhecem, mas ele as conhece. Quando ele vê as gurias também chora. Ele também é corno, a munhé meteu dois “galhos” nele. Um com o irmão dele e outro com um negro que era vizinho deles. Por isso é que ele ficou batusquela. “Munhé” é coisa do “demonho”, quando cisma de acabar com a tua vida e da “famía”, não pensa duas vezes.

Não sabemos o fim desses folclóricos personagens, onde morreram, quando e onde foram enterrados. Mas, sua passagem marcou profundamente a mente das crianças e adolescentes de todas as comunidades da Ilha, e quem os conheceram guardam na memória até hoje, suas personalidades, e seus  jeitos mendigos de vive

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 17h41
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]