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Blog do Lídio Leopoldo Pinheiro


O GAMBÁ

Vargem Pequena julho de 1960, segunda feira, madrugada fria daquelas mata cavalo, como se dizia na comunidade. Cavalo magro que resistisse o inverno de agosto ganharia mais um ano de vida para se recuperar. Ainda cansado pelas peladas de domingo, quatro horas da manhã, meu pai acorda, me tira da cama e ordena que acorde o nosso vizinho Aniceto, o forneiro! Estava na hora de acender o forno par a primeira fornada de farinha do ano.

Trinta minutos depois já estávamos na estrada geral a caminho do engenho que ficava a um quilômetro de nossa casa. Facho de luz aceso, porque a noite ainda era um breu, o silêncio absoluto, o único barulho consistia no coaxar dos sapos e do cricrilar dos grilos. Quando passávamos pela chácara do Altino, um gambá enorme atravessa a nossa frente. Meu pai cerca-o com o facho de fogo, deixando-o cego enquanto o Aniceto, com um pedaço de pau - tirado do feixe de lenha seca que levava para facilitar o acendimento do forno - começou a bater no gambá. De tanto bater o gambá começou a sangrar pela cabeça e se entregou. Aniceto o pegou pela longa calda e o levou pendurado, até o engenho, onde o colocou sobre a forca de madeira que sustentava o varal de pau bruto, feito para secar cordas.

O gambá é um mamífero marsupial, didelfídeo, que apesar de sua catinga nauseante, possui uma carne muito saborosa, quando preparado na vinha-d’alho e assado no forno.

Em quanto o Aniceto colocava fogo no forno, eu e meu pai, preparávamos o engenho: encaixando o pinhão com a hélice de mexer a farinha na engrenagem maior, colocamos a canga na haste de acionamento do engenho, tiramos o tipiti da prensa com a massa de mandioca seca e despejamos no tacho do forno e posicionamos o boi na canga. Engenho pronto iniciou-se a produção da farinha.

Aniceto respirou com ar de alívio e exclamou: tudo funcionando certinho vamos preparar o gambá para o almoço! Ao se aproximar do varal onde tinha deixado o bicho, surpreso gritou: Leopoldo onde está o gambá?

- Está aí na forca do varal onde você o colocou...

- Então roubaram, aqui não tem nada...

- Quem iria roubar se não há ninguém aqui, somente nós? Disse meu pai! E continuou: o gambá é manhoso, ele se finge de morto para escapar do agressor, quando se vê livre do perigo, vai embora.

- Com a cabeça toda ensangüentada? Duvido! Retrucou Aniceto.

- Você pensa que era das pauladas que ele sangrava seu tolo... Ele solta sangue pela boca e narinas, para fingir que está machucado ou morto. É igual à raposa, que muda de pêlos, mas não muda de hábitos, só para entrar nos galinheiros e comer as galinhas.

Aniceto não se conformava em ter sido enganado por um gambá. Pegou o facho de fogo, acendeu novamente e saiu chácara adentro procurando o gambá. Ele não pode estar muito longe daqui, resmungava... Toma conta do forno que não volto sem o bicho... Mas, por fim, depois de muito procurar, desistiu.

A natureza não só dá a vida, como os meios de protegê-la, para que se cumpra a missão de cada ser vivo neste planeta. Nada está nesse mundo por acaso e nenhuma vida é aleatória.

Léo Pinheiro

Novembro de 2010.

 

 

  



Escrito por Léo Pinheiro às 19h33
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“MANEZINHO”

Meu pai, Leopoldo Pinheiro, nasceu em Vargem Pequena, em 1915, faleceu em 2002 aos 87 anos,  tinha  4 irmãos todos falecidos. Apesar de ter estudado somente até o antigo primário, gostava  muito de ler, curioso, parecia um menino, queria saber de tudo nos mínimos detalhes; leu a Bíblia 4 vezes da primeira a última página. História, política e religião,de preferencia. Era capaz de reproduzir discursos políticos de Getúlio  Vargas, Dutra e outros. Polivalente no que fazia: carpinteiro, pedreiro, marceneiro,  barbeiro. Construía carro de boi, carroças, charretes,  engenho de farinha de mandioca e de cana de açúcar, da fundação até seu funcionamento;  incluindo as engrenagens de madeira.  Quem estudou mecânica sabe o quanto é difícil calcular uma engrenagem,  ele fazia isso sem instrumentos de precisão, apenas com um metro,  compasso e lápis. 

Eu morava na cidade de  Santos  quando ele foi me visitar, levei-o a São Paulo, Capital; para que conhecesse um pouco da cidade. Visitamos vários lugares,  museu do Ipiranga, estação da Luz, Butantã e várias praças. Ele era encantado por praças e não perdia a oportunidade de ler os monumentos. A praça não é apenas um lugar de laser, dizia,  mas de cultura também, pelas praças pode-se conhecer a história da cidade.  Em uma das praças, ele se deparou com a estátua de Ademar de Barros; olhou de baixo a cima e exclamou: grande Ademar! E me olhando disse: o Ademar de barros quando candidato a Presidente da República esteve em Florianópolis, discursou nas escadarias da Catedral; perguntou ao povo: vocês sabem por que quero ser presidente do Brasil? E respondeu: “porque governei muito bem São Paulo;  e quem governa bem São Paulo, está preparado para governar qualquer país do mundo”. Agora, conhecendo um pouquinho de São Paulo, acho que ele tinha razão, concluiu!

Já em Santos,  depois  do almoço ficamos conversando , foi quando perguntei a ele porque nós, que nascemos na ilha de Santa Catarina, somos chamados de “manezinho”?

Disse: antigamente havia um matadouro no cabeceira  da ponte Hercílio Luz, no lado do Estreito,  e ali tinha uma pequena praia de pescadores, pessoas simples e pobres; o dono do matadouro dava para eles as tripas dos bois, que eles limpavam e penduravam em varais de bambu, para secar ao sol; Os moradores da ilha olhava aquilo todo dia,  e passaram a chamar o pessoal do Estreito de “Tripeiro”, apelidos que eles têm até hoje. De raiva o pessoal do Estreito, passou a chamar os da Ilha de “papa manezinho”, um  peixe que era pescado em abundância nas praias da ilha e servia como base alimentar da população do interior da ilha.

O matadouro foi  desativado, mas os apelidos ficaram. Os moradores  da ilha não gostavam de ser chamados de “Manezinho”;  somente quando o Guga, um ídolo nacional, falou na TV que era “manezinho” da Ilha, que passaram a ter  orgulham de ser “Manezinho”, mas antes disso o pau quebrava. Embora existam até hoje, alguns mais idosos que não gostam de ser chamado de “Manezinho”. Como os moradores do Estreito não gostam de ser chamado de tripeiro.

Lídio L.  Pinheiro.

 

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 20h00
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INAUGURAÇÃO DA PONTE PEQUENA

1959

Quem não conhece aquele político embusteiro, que depois de empossado, revestido de autoridade, esquece o eleitor? Dib Cherem, o Prefeito Doutor, como era chamado pelos seus eleitores mais humildes, era o oposto, visitava constantemente as comunidades, sempre sozinho, sem bajuladores. Andava em seu carro particular, visitava frequentemente as comunidades, por várias vezes visitou a Vargem Pequena, principalmente na época da farinhada; entrava nos engenhos, cumprimentava todo mundo como se fossem seus amigos íntimos, brincava, contava piada e ficava chupando laranja colhida nas chácaras com farinha quente, recém-saída do forno. Costumava ir ao engenho de cachaça do meu tio Chico pinheiro, para conversar, tomar uma cachacinha quente tirada do alambique na hora que estava sendo destilada.

Apedido da comunidade e pela amizade que tinha com o Intendente Chico Camarão, mandou construir a primeira ponte de cimento armado sobre o Rio Pequeno em substituição a ponte de madeira existente. Naquele tempo, inauguração de obras públicas era regada com uma festa na comunidade, com comes e bebes para todo mundo. A inauguração da ponte foi marcada numa tarde muito fria de inverno, o local escolhido foi o terreiro do engenho de farinha do Onofre, onde foram armados as lonas e o palanque para discursos.

Terminado os discursos, começou os comes e bebes. Um dos vereadores que fazia parte  da comitiva estava acompanhado de uma linda mulher, morena clara,  alta, cabelos longos, seios generosos, corpo esbelto e bem vestida, que a deixava mais graciosa ainda; sua beleza física chamava atenção de todos; alegre e muito simpática, conversava abertamente com todos, principalmente com meu tio Manoel Pinheiro.

Mas, depois de beber alem da conta,   começou a  se jogar no colo dele e a beijá-lo. Provocando ciúmes no vereador que indignado com a situação começou a destratar a moça com palavrões e acusações até o momento que: já sem controle emocional, gritou alto para que todos ouvissem: como pode uma moça bonita e fina como você ficar se jogando encima desse matuto? Meu tio ficou calado sem esboçar reação, estava encantado, anestesiado, idolatrado com que lhe estava acontecendo, não é comum cair do céu uma Deusa no colo de um matuto. Mas, o Onofre que tinha bebido um pouco mais, saiu em defesa de meu tio.

-Matuto é você seu corno manso, chifrudo, só porque és vereador achas que podes ofender os outros seu patife! E partiu para cima do vereador com socos e pontapés.  O rebu foi armado; todo mundo batendo em todo mundo, só o prefeito foi poupado, e graças à amizade e consideração que a comunidade tinha por ele. Festa encerrada, todos se desculparam e a paz foi selada.

No dia seguinte e durante toda a semana, tanto nas vendas como na comunidade, só se falava desse ocorrido. O prefeito continuou a frequentar a comunidade, mas o vereador  nunca mais foi visto por lá.

Lídio L. Pinheiro

Novembro 2014.



Escrito por Léo Pinheiro às 19h57
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A CARIDADE

 

Fora da caridade não há ambiente para o verdadeiro Amor, mas a verdadeira caridade igualmente não se expressa sem o ato amoroso que se irradia do coração para todas as frentes de trabalho onde o Bem é a meta dos sentimentos.

Nada se faz de graça para os outros. É tolice  achar que as pessoas caridosas fazem tudo sem pensar em recompensa. O caridoso tem um olho na terra e outro no céu, Mas o   brilho nos olhos e o sorriso nos lábios das pessoas que recebem a caridade, nos dá uma tremenda satisfação que corresponde em dobro o valor da dádiva ofertada.  São essas coisas que nos proporcionam prazer que nos tornam felizes; e nos dá a recompensa que precisamos para continuar fazendo o bem a nossos irmãos.

Como é tolice achar que  recompensa é tudo aquilo que só vem através de bens materiais. Os valores materiais são importantes para que se possa fazer mais caridades e com isso buscarmos o prazer de servir. Mas, eles não são a única fonte de prazer e de felicidade. Porque felicidade é um estado de espírito e não o desejo desenfreado de possuir bens materiais.

Conheço muita gente rica em bens materiais que são verdadeiros avarentos, que vivem como pobre com medo de ficar pobre e jamais estende as mãos para auxiliar alguém. Professam que tudo o que possuem é fruto do seu próprio trabalho e que quiser ter que faça o mesmo.

A política é um excelente caminho para se praticar o bem, é através dela e de sua organização social, que teremos maiores oportunidades de ajudarmos as pessoas e a nós mesmos, contribuindo mais decisivamente com a qualidade de vida de nossa gente, especificamente as que vivem a margem do sistema.

Entendo que fazer política é contribuir para a inclusão social; é um ato de amor. Política é coisa séria, nós é que não levamos a política a sério quando escolhemos nossos candidatos a cargos eletivos.

Dizer que o poder corrompe é outra tolice popular. O poder não corrompe ninguém, apenas revela caráter.

O corrupto existe tanto no poder como fora dele; porque a corrupção faz parte da personalidade doentia do corrupto, é um desvio moral. Corrupto declarado ou não sempre será corrupto, é incorrigível. Honesto sempre será honesto, porque tem responsabilidade com sua formação moral, com o dever social e o prazer de trabalhar pelo bem de seu povo e de sua terra; além da consciência de que nada levará desse mundo à não ser os conhecimentos adquiridos e o bem praticado em sua passagem por esse planeta terra.

 

Lídio Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 12h55
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A CARIDADE

 

Fora da caridade não há ambiente para o verdadeiro Amor, mas a verdadeira caridade igualmente não se expressa sem o ato amoroso que se irradia do coração para todas as frentes de trabalho onde o Bem é a meta dos sentimentos.

Nada se faz de graça para os outros. É tolice  achar que as pessoas caridosas fazem tudo sem pensar em recompensa. O caridoso tem um olho na terra e outro no céu, Mas o   brilho nos olhos e o sorriso nos lábios das pessoas que recebem a caridade, nos dá uma tremenda satisfação que corresponde em dobro o valor da dádiva ofertada.  São essas coisas que nos proporcionam prazer que nos tornam felizes; e nos dá a recompensa que precisamos para continuar fazendo o bem a nossos irmãos.

Como é tolice achar que  recompensa é tudo aquilo que só vem através de bens materiais. Os valores materiais são importantes para que se possa fazer mais caridades e com isso buscarmos o prazer de servir. Mas, eles não são a única fonte de prazer e de felicidade. Porque felicidade é um estado de espírito e não o desejo desenfreado de possuir bens materiais.

Conheço muita gente rica em bens materiais que são verdadeiros avarentos, que vivem como pobre com medo de ficar pobre e jamais estende as mãos para auxiliar alguém. Professam que tudo o que possuem é fruto do seu próprio trabalho e que quiser ter que faça o mesmo.

A política é um excelente caminho para se praticar o bem, é através dela e de sua organização social, que teremos maiores oportunidades de ajudarmos as pessoas e a nós mesmos, contribuindo mais decisivamente com a qualidade de vida de nossa gente, especificamente as que vivem a margem do sistema.

Entendo que fazer política é contribuir para a inclusão social; é um ato de amor. Política é coisa séria, nós é que não levamos a política a sério quando escolhemos nossos candidatos a cargos eletivos.

Dizer que o poder corrompe é outra tolice popular. O poder não corrompe ninguém, apenas revela caráter.

O corrupto existe tanto no poder como fora dele; porque a corrupção faz parte da personalidade doentia do corrupto, é um desvio moral. Corrupto declarado ou não sempre será corrupto, é incorrigível. Honesto sempre será honesto, porque tem responsabilidade com sua formação moral, com o dever social e o prazer de trabalhar pelo bem de seu povo e de sua terra; além da consciência de que nada levará desse mundo à não ser os conhecimentos adquiridos e o bem praticado em sua passagem por esse planeta terra.

 

Lídio Pinheiro

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 12h52
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O ENTERRO

Durante a década de cinqüenta e sessenta, quando morria alguém na comunidade, o velório era feito na casa do falecido e o enterro no cemitério da igreja de São Francisco de Paula em Canasvieiras, como acontece até hoje. A diferença consiste em que na época não havia capela mortuária, e a estrada era de chão batido, o transporte do féretro era feito em carro de bois, em quanto o cortejo seguia a pé. O carro de bois era enfeitado com arcos feitos de ripas de bambu, e ornado com ramos de arvores, folhas de samambaia e flores. Ao chegar a uns cinqüenta metros do cemitério, o féretro seguia nas mãos dos amigos até dentro da igreja para ser recomendado pelo padre; enquanto um grupo ficava desmontando a decoração do carro de bois. 

No local onde o carro de bois deixava seus acessórios fúnebres, havia um grupo de crianças da comunidade de Canasvieiras, esperando para levar as ripas de bambu para fazer arapucas, alçapões e gaiolas, para aprisionar pássaros. Para eles era uma festa quando morria alguém.

Quando o falecimento ocorria em época das “farinhadas”, em que os bois estavam ocupados tocando os engenhos e no transporte de mandioca das roças até os engenhos; o enterro, nesse caso, era feito a pé. Os homens enrolavam toalhas nas mãos, para não serem cortadas pelas alças do caixão feitas de corda de caroá, fibras retiradas na própria comunidade para fazer cordas. O caixão também era feito artesanalmente por carpinteiros locais. Diante da distância a percorrer, entorno de 6 km, da Vargem Pequena até o cemitério em Canasvieiras, os carregadores se revezavam a cada 200m, mais ou menos. Num desses enterros, o Ildo vinha acompanhando o cortejo, mas havia bebido muito. Os velórios eram feitos regados a refresco de groselha e café com biju para as senhoras, cachaça pura e torresmo como tira-gosto, para os adultos. O Ildo estava cambaleando muito, mas desde o início do cortejo insistia para que lhe deixasse carregar um pouco o caixão, afinal o falecido era seu amigo. Mas em função do seu estado de embriaguez, alguém pulava na frente e tomava a vez do Ildo; e assim foi até a última troca, há 50m da entrada da igreja; e mais uma vez a sena se repetiu, e ele foi descartado. O Ildo parou e se escorou numa grande arvore, onde foi feita a última troca de carregadores, e desconsolado, vendo o corpo do amigo entrando na igreja, se indignou e gritou bem alto: Filhos das p... Enfia o defunto no c... Seus cornos. Deu meia volta e foi embora sem esperar o cortejo. Só apareceu na comunidade no dia seguinte bêbado e as gargalhadas como sempre fazia.

Léo Pinheiro

Novembro de 2010.





 



Escrito por Léo Pinheiro às 15h37
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COISA DE MOLEQUE

Nos anos cinquenta até meados dos anos sessenta; não havia outra religião na comunidade de Vargem Pequena, a não ser a católica. E a “Bebê” era uma devota de São Brás, padroeiro da comunidade, não passava um domingo sem comparecer a missa e era presença segura nas novenas, festas e procissões católicas. Mas todas as sextas feiras à noite, ela dava consulta em sua casa; era o dia da semana que dizia receber o espírito do Dr. Ricardo, que fazia curas milagrosas e dava conselhos consoladores, aliviando o sofrimento das pessoas que a procuravam.

Apesar de muita gente achar que essa atitude dela era charlatanismo, mesmo assim a procuravam para ajudar a resolver seus problemas. A sala da casa estava completa de gente para serem consultados; todos sentados nos bancos e cadeiras encostados as paredes da sala, em forma de circulo, deixando o centro livre para o espírito trabalhar.

 De repente, a “Bebê” que ficava sentada numa das cadeiras conversando alegremente com as visitas, pedia licença aos presentes, se concentrava e a seguir se jogava ao chão. Ficava se retorcendo e se debatendo como uma vítima de ataque epilético.

 O Fernando, seu esposo, se jogava sobre ela, com os joelhos prendia seus braços e com as duas mãos segurava sua cabeça para que não a batesse no chão, nas paredes e móveis da casa, enquanto as senhoras seguravam suas pernas até que se acalmasse. Aos gritos, Fernando pedia calma ao espírito e  dizia: ela já está a sua disposição, pronta para trabalhar, acalme-se!  Pedia também às pessoas que não ficassem com medo, que era assim mesmo que o santo baixava.

O intrigante é que quando o espírito incorporava na “Bebê”, sua transformação era marcante; Seus olhos aumentavam de tamanho, seu rosto inchava,  avermelhava e transfigurava-se; sua voz enrouquecia como voz masculina, e ao se erguer caminhava e gesticulava com jeito de homem.

A entidade antes de começar seus trabalhos,  costumava brincar com as pessoas presentes, e fazia com que todos rissem com suas “pegadinhas”. Só depois que todos se mostravam descontraídos ele passava a falar sério, dizendo o porquê do sofrimento de todas as pessoas,  a causa do sofrimento e o que deveriam fazer para se curarem e serem felizes.

Terminada a sessão, o espírito pedia para que todos rezassem um Pai Nosso e em seguida se despedia com uma boa noite. Logo após, a “Bebê”, começava a se transformar na pessoa de antes, meio atordoada não sabia explicar o que havia acontecido muito menos o que havia dito as pessoas, curiosa ficava lendo junto com as pessoas, as receitas de remédios passadas pelo espírito que cada uma havia anotado nos seus caderninhos.

A molecada, não podia entrar nas sessões, ficávamos no lado de fora da casa, espiando pelas aberturas das tabus, a casa era de madeira.

Durante uma sessão, um dos moleques, teve a idéia de fazer uma brincadeira, cortar três troncos de bananeiras - pois havia muitas delas em torno da casa – e encostá-los na porta da sala. O “Nelo” que morava mais próximo, correu a casa e trouxe  o facão do seu pai. Cortamos as bananeiras, tiramos as folhas e colocamos os três troncos encostados à porta de saída da casa. Terminada a sessão, o pessoal iniciou o ritual de despedida, foi quando o Fernando abriu a porta e os troncos caíram na sala, derrubando todos que estavam em frente a porta.

A  gritaria das mulheres foi algo penoso de ouvir, parecia ter morrido uma dúzia. O Fernando não sabia se socorria as senhoras ou se sai correndo a procura da molecada -  que a essas horas já tínhamos nos dispersado mato a dentro -  pois não tinha dúvidas que seria a molecada os autores da obra.

Muitas das senhoras, que havia ido à sessão pela primeira vez, gritavam ser obra do demônio, que era castigo de Deus por estarem pecando contra a igreja, cruz credo! Nunca mais voltaremos nesse lugar endiabrado, diziam algumas. Rasgaram as folhas dos caderninhos com as receitas passadas pelo espírito, jogaram fora e desceram a pequena ladeira até a estrada geral fazendo o sinal da cruz, como pedindo perdão a Deus pelo pecado cometido.

 O fato virou notícias no dia seguinte na comunidade. Ninguém mais queria se consultar com a Bebê, todos diziam ser coisa do capeta. Só o Fernando, passou a semana caçando a molecada com um facão na cintura, dizia que mataria o primeiro que encontrasse.

A molecada ficou calada e dispersa por muito tempo até que o caso caísse no esquecimento do Fernando e da comunidade.

Enquanto a “Bebê”, deu férias por um bom tempo para o espírito do Dr.Ricardo.

Lídio Leopoldo Pinheiro.



Escrito por Léo Pinheiro às 21h47
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SARABANDO

 

Sarabando, guarda da Companhia Docas, Pessoa muito calma, boxeador profissional, era proprietário de uma academia de Boxe na Rua General Câmara com muitos aprendizes. Estava sentado no banco tripé encostado ao balcão do bar onde costumava tomar seu café nos horários em que a companhia dispensava seus funcionários para esse fim.

Um sujeito, meio alterado pela bebida, começou a provocar os guardas, principalmente o Sarabando, dizia que todo guarda das docas eram metidos a besta, por usar farda de caqui, parecida com a farda da polícia militar, e por isso se achavam policial, e cada vez que falava se encostava no Sarabando que o empurrava com braço para que se afastasse, mas não adiantava, o homem insistia em provocá-lo, Sarabando pediu encarecidamente que se afastasse, não estava aguentando o bafo de álcool no seu café; o homem aí que se aproximava mais, nem os pedidos de seu Pedro para que não perturbasse o cliente, que pegasse sua pinga e saísse, não adiantou. Sarabando, pela  ética dos boxeadores, não podia brigar com pessoas despreparadas, por isso evitava ao máximo se indispor com alguém. Mas o homem continuava insultando os guardas das docas, os outros que estavam sentados às mesas tomando café, já estavam a ponto de explodir, mas pelo fato de estar em serviço, qualquer ato de agressão poderia lhe custar os empregos por isso estavam tolerando o importuno.

Mas chegou um momento que Sarabando, largou a xícara de café, e ainda com uma fatia de pão com manteiga na boca, seu lanche preferido, e sem se levantar do banco que sentava, soltou o  braço no sujeito, que ele saiu de costa por cima das mesas, onde os outros guardas tomavam café. Só deu tempo de se levantarem, para que ele levasse umas quatro mesas e cadeira de arrasto até bater na parede do bar e cair num monte  atrás das mesas. Levou alguns minutos a acordar, se levantou tonto, sem saber onde estava e o que havia acontecido, recuperou a consciência e quanto todos pensasse que ele iria partir para cima do Sarabando, pegou a porta da rua e pernas para que te queira. A Rua João Guerra se tornou pequena para a disparada. Foi só risadas de quem ficou no bar!

 



Escrito por Léo Pinheiro às 21h34
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DIÁLOGO

*Vejam este diálogo de quase 400 anos.*

*O diálogo, da peça teatral* *"Le Diable Rouge", de Antoine Rault, entre os personagens Colbert e Mazarino,* *durante o reinado de Luís XIV, século XVIII que, apesar do tempo decorrido, é bem atual.*

*Atentem principalmente ao último trecho:*

*Colbert:*
Para arranjar dinheiro, há um momento em que
enganar o contribuinte já não é possível.
Eu gostaria, Senhor Superintendente,
que me explicasse como é possível continuar a gastar
quando já se está endividado até o pescoço.

*Mazarino:*
Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas
e não consegue honra-las, vai parar na prisão.
Mas o Estado é diferente!
Não se pode mandar o Estado para a prisão.
Então, ele continua a endividar-se.
Todos os Estados o fazem!

*Colbert:*
Ah, sim? Mas como faremos isso,
se já criamos todos os impostos imagináveis?

*Mazarino:*
Criando outros.

*Colbert:*
Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

*Mazarino:*
Sim, é impossível.

*Colbert:*
E sobre os ricos?

*Mazarino:*
E os ricos também não.
Eles parariam de gastar.
E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.

*Colbert:*
Então, como faremos?

*Mazarino:*
Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente!
Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer.
É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!
Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos.
Formam um reservatório inesgotável...
É a classe média!

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 15h26
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Cuidado com os subterfúgios.

Porque a política é dividida em tantos partidos? Não pense que é só para dar mais opção de escolha a você,  seu principal objetivo é partir a massa em pedaços,    em partes menores fica mais fácil governá-la, imagine uma massa coesa cobrando dos políticos a responsabilidade de administrar bem  nossos impostos, do jeito que  queremos. Isso para eles é impensável. Então eles dividem em partidos, e quanto mais partidos melhor, a  massa fica mais dividida;  parte puxando  para um partido, outra puxando pra outro, transferindo culpas etc. não pressionam tanto o sistema, facilitando  o processo de dominação e opressão; alivia os problemas para a classe política dominante! Aliás, a sociedade é fragmentada propositadamente em: religiões, política, futebol, organizações ditas sociais, mídia e por aí vai...Então quando você se dispões a vestir a camisa de um desses fragmentos, a sai defendendo-o  cegamente, nada mais estás fazendo do que entrar no jogo deles.

Para mudar isso, precisamos começar por uma educação cidadã de qualidade, educação essa, que se torna difícil de alcançar,  uma vez que a educação, fragmentada,  também faz parte do sistema de dominação. Ela não pertence ao país, e não está a serviço do país, e sim a serviço  da ideologia do poder, ela vive mudando e acompanhando a ideologia dos governantes.

O comércio também usa essa técnica, da fragmentação de preços, é comum você ver anúncios de R$ 9,99 por semana ao invés de R$ 39,96 por mês. Leva você a ilusão  que é muito barato e mais fácil de pagar R$ 9,99 por semana, e a não perceber que os meses de 5 semanas você pagará R$ 49,95, mais do que se tivesse feito uma compra de R$ 40,00 mensais.

É preciso ficar atento para não achar que você é o dono da verdade...Os subterfúgios operam em todo organismo social, fugir deles é missão impossível, nos resta apenas selecioná-los de acordo com a visão de mundo que conquistamos, os fragmentos que nos atinge mais diretamente e cobrar providências, entre eles os fragmentos políticos que afetam nossos direitos de cidadãos.

Não podemos entrar no jogo do sistema, culpando uns e outros, todos foram colocados lá, para nos servir e não para serem servidos por nós. Eles precisam aprender a prestar conta ao povo assim como prestamos contas aos nossos patrões. Nós somos os patrões deles, não podem e não têm o direito de mentir pra nós e nos usarem como se fosse-mos os culpados pela incapacidade de governar bem para o povo.

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 18h39
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ÓDIO A IMPRENSA

Talvez o ódio que os petistas curtem pela imprensa, de modo geral,  seja pelo fato dela mostrar ao Brasil as mazelas do governo do PT, Tanto em relação a corrupção como as obras inacabadas, e as que nunca iniciaram, como as estradas de escoamento da produção agrícola, verdadeiros atoleiros, que impedem os caminhoneiros se aventurem a puxar as safra de soja e outros produtos agrícolas. Enquanto o governo do PT esvaziou os cofres do BNDES para financiar obras de infraestrutura nos países amigos  e parceiros ideológicos.

-Por mostrar o estado de calamidade pública que se encontra os hospitais, faltando leito, remédios, médicos, equipamentos e prédios mal cuidados; e em quantidade insuficiente para atender a demanda de pacientes que acabam morrendo pelos corredores dos hospitais.

 -Por mostrar as escolas caindo aos pedaços e em quantidade insuficiente, professores mal treinados e mal pagos, e carentes de equipamentos; escolas sucateadas e inadequadas às atividades pedagógicas.

Estradas de ferro abandonadas, outras iniciadas e não concluídas, metrôs e VLTs prometidos para a Copa do Mundo.

Portos iniciados e não acabados, como o de Piauí, e outros portos sucateados, estaleiros e plataformas petrolíferas abandonadas etc..

Na verdade nós pagamos impostos de primeiro mundo e recebemos serviços de terceiro mundo. Os gastos com a máquina pública consomem 50% dos encargos da previdência; e é exatamente no setor público onde estão a resistência as mudanças: Congresso, Judiciário, executivo e sindicatos dos servidores públicos. Nos últimos 13 anos, a despesa com servidores públicos foi de 171 bilhões para 390 bilhões. Há 13 anos eram de 3,8 milhões de servidores, hoje passam de 9 milhões.

O país não teve um crescimento que justificasse esse aumento de servidores públicos e de custos. E os serviços prestados a população não melhorou na mesma proporção. É óbvio, que essa bomba iria estourar nas mãos dos próximos governos.

E aí aparece o Lula, com comício de campanha antecipada dizer que quer ser presidente outra vez porque o Brasil precisa dele. Quem precisa dele no governo são as sanguessugas do poder que viveram esses anos todos mamando muito bem nas tetas da republica. O brasileiro trabalhador, responsável pela produção  do país, quer distancia dele e de seus asseclas.

 

 

 

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 19h38
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CRISE ECONÔMICA

 

O Brasil foi o país que mais cresceu no período pós-revolução de trinta até a década de 1980. Somente a partir do final do governo militar até 1995, a economia tomou rumos inversos ao crescimento entrando numa tremenda crise econômica e desequilíbrio inflacionário. A inflação nesse período pós-militar, chegou ao patamar de 75% ao mês, 900% ao ano. O desabastecimento foi inevitável. Pessoas faziam filas nos supermercados para comprar sal, açúcar, carnes e frangos; antes que acabasse o estoque, e a correria nos supermercados era grande, não só atrás dos produtos, mas para passar a frente também,  do remarcador de preços com suas maquininhas de remarcar. o frango chegou a ser vendidos em partes, era impossível para o pobre comprar um frango inteiro, os mais bem assalariados podiam comprar coxas e peito de frango, (é possível que os coxinhas vem desse período) os que ganhavam menos compravam as carcaças do frango, sim meus amigos, carcaças de frango. Foi um período doloroso! Depois de vários planos econômicos frustrados implantados pelos governos pós-militares. Surgiu no governo FHC o plano Real, que apesar das críticas da oposição, levantou a credibilidade do país e trouxe de volta os investimentos estrangeiros, o reabastecimento do mercado e  o fim da inflação, e colocou o país nos eixos;   reabilitando e estabilizando  a economia.

O mais difícil para o FHC, alem do combate a corrupção, foi enfrentar a cultura do aumento mensal de salários, principalmente do funcionalismo público, com os salários congelados, em função do grande aumento  de compra que os salários obtiveram com a troca de moeda. Mas os sindicatos fiaram sem função por oito anos, e precisavam justificar sua existência, e  o jeito foi apelar para a máxima socialista de destruir reputação, até que chegassem ao poder através de Lula.

Quando o Lula foi eleito começou a colher os frutos do plano Real, empolgado com o sucesso, ao invés de aproveitar para fazer investimento na infraestrutura do país, já sucateada, se encheu de vaidade e só queria viajar pelo mundo divulgando ser o melhor presidente do mundo, investindo bilhões em países vizinhos: como Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina, Equador, Angola e perdoando dívidas de países africanos. Passou o governo para sua parceira Dilma Rousseff, um país combalido, dando os primeiros sinais de desaceleração do crescimento com a queda do PIB; desestruturado, com altas taxas de juros, com a queda das commodities, o governo Dilma, para ajustar o nível de atividade econômica, manteve a expansão do credito e ajudou o setor produtivo com isenções fiscais. Essas medidas não foram suficientes para dinamizar o Crescimento produtivo (PIB), a baixa arrecadação  associada a o alto nível de corrupção no governo e estatais, fundos de pensões e o inchaço da máquina pública,  fez explodir em 2015, a maior crise econômica da nossa história; dando origem ao  impeachment da presidenta Dilma.

 

 



Escrito por Léo Pinheiro às 20h13
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CAMINHO DO REI

Em outubro de 1845 quando da visita que Dom Pedro II a freguesia de Santo Antônio de Lisboa para conhecer a Igreja Nossa Senhora das Necessidades construída entre 1750 e 1756, conta-se que estava programada a visita do Rei a Freguesia de Canasvieiras. A população local dos arraiais circunvizinhos aguardava com expectativa a nobre visita, mas devido uma tempestade acabou não acontecendo. A visita era para conhecer o povoado e a Igreja de São Francisco de Paula, padroeiro desta comunidade. Para a passagem do Rei foi feita uma picada entre a praia e igreja, a qual originou o nome Caminho do Rei, atual José Bahia Bittencourt. Há anos um projeto de lei municipal mudou o nome desta rua, ignorando sobremaneira aspectos históricos e relevantes a memória de Canasvieiras. ( IPUF)

Interessante que até hoje, a comunidade só conhece essa rua pelo nome Caminho do Rei. Está na hora de nossos vereadores fazerem um projeto de lei para resgatar esse nome para que a história não seja perdida no tempo.

 

Nesse momento em que a comunidade está comemorando a criação do Caminho de Santiago de Compostela que por sinal, nunca passou por aqui.



Escrito por Léo Pinheiro às 12h28
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Uma vez que não é possível eleições para eleger os ministros do poder judiciário como é feita para eleger os membros do poder executivo e legislativo, então que se nomeiem juízes de carreira consagrada, de moral ilibara e notório saber jurídico para serem chamados de ministros e não ministros sem esses predicados para serem chamados de juízes.



Escrito por Léo Pinheiro às 12h36
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MINHA ORAÇÃO

 

Senhor, afaste de mim toda energia negativa que por ventura esteja me circundando, faça com que retorne as suas fontes de origem. Envolva-me com sua áurea de proteção,  amor, bondade e sabedoria.

Para que eu possa desenvolver minhas potencialidades, resolver meus problemas e viver na paz do senhor, com dignidade, sabedoria  e amor.

 Amem.

 

Lídio L. Pinheiro



Escrito por Léo Pinheiro às 13h10
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